2 de abril de 2008

Cartilha para o “povo cigano” foi lançada em Nova Iguaçu

Sair da marginalidade e conquistar a cidadania. Esses são os maiores sonhos da população cigana brasileira, alvo secular de brutal preconceito e discriminação. Quem, por exemplo, nunca ouviu, em algum momento da vida, principalmente na infância, histórias relacionadas a roubo de crianças, galinhas, roupas do varal e toda sorte de lendas possíveis?

Diante deste quadro, o Governo Federal, por meio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), em parceria com a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC) e a Fundação Santa Sara Kali, lança amanhã (28), às 12 horas, em Nova Iguaçu (RJ), a cartilha Povo Cigano – O Direito em suas Mãos.

A publicação é voltada para esse grupo populacional e reúne as 29 reivindicações apresentadas durante a 9ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em 2004, e a 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, em 2005. Traz também informações sobre a história, costumes, direitos e curiosidades. O principal objetivo é ensinar que o povo cigano aprenda a exercer, usufruir e garantir seus direitos.

“A nossa meta é distribuir as cartilhas em todos os acampamentos ciganos pelo país afora”, afirma Perly Cipriano, subsecretario de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SEDH/PR. Segundo ele, o Brasil abriga uma das maiores nações ciganas do mundo. “É importante reconhecer e valorizar a tradição deste povo”, avalia Cipriano.

A autora da cartilha é a advogada Mirian Stanescon Batuli, cigana do clã Kalderash. “Todo mundo fala que cigano é ladrão mas nós não vemos ciganos presos, ironiza Mirian. Ela conta que a situação dos ciganos remonta o início do século passado. “São pouquíssimos os avanços sócio-econômicos conquistados pelo meu povo”, avalia.

Segundo Mirian, as estimativas apontam para a existência de 800 mil a 1 milhão de ciganos em todo o Brasil.

“O mais dramático de tudo isso é que esse exército de brasileiros se sente estrangeiro em sua própria terra por conta do desconhecimento de seus direitos e do preconceito de nossa sociedade”, conclui Mirian.

História

Os ciganos são, na sua maioria, povos nômades, que tiveram origem há quatro mil anos, na região do Punjab, ao noroeste da Índia, hoje o Paquistão. Chegaram ao Brasil em 1574, expulsos da Europa pelo Estado, em decisão que atendia à Igreja. Segundo relatos, nesse período, Portugal e Espanha cortavam as orelhas dos ciganos e os jogavam às galeras para serem deportados. Isso porque eram considerados um povo diabólico. No Brasil, existem dois grandes grupos: os Calons (ciganos de origem ibérica, principalmente espanhola) e os Rom (originários do leste europeu).

Fonte: SEDH

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