24 de agosto de 2020

Clipping – Jornal do Comércio – Mais de 30% das mortes por doenças respiratórias em Porto Alegre são de não residentes na cidade

Ao menos 31,3% dos óbitos por doenças respiratórias ocorridos em Porto Alegre desde o início da pandemia de Covid-19 são de pacientes que não residiam na cidade. Em números absolutos, 1.166 pessoas não moradoras do município morreram em Porto Alegre em decorrência de doenças respiratórias como Covid-19, insuficiência respiratória, pneumonia, síndrome respiratória aguda grave (Srag) e septicemia.

Levando em consideração apenas os casos de Covid-19, o percentual de pessoas que morreram na cidade sem serem residentes é de 33,2%, isto é, 288 cidadãos. Os dados, que compreendem o período de 16 de março a 20 de agosto, estão disponíveis no Portal da Transparência do Registro Civil, plataforma administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil).

Entre 1º de janeiro e 5 de agosto, conforme levantamento realizado pela Arpen-RS, as cidades com maior índice de óbitos por doenças respiratórias na Capital foram Viamão (235), Alvorada (177) e Gravataí (133). Na sequência aparecem Guaíba (119), Canoas (85), Cachoeirinha (67), Eldorado do Sul (56), Sapucaia do Sul (38) e São Leopoldo (37), entre outros municípios.

O secretário de Saúde da Capital, Pablo Stürmer, considera natural que residentes de outros municípios se desloquem até a cidade em busca de serviços de saúde. “Essa busca não é um problema. É algo esperado e natural, pois os centros de referência estão situados nas cidades maiores”, diz.

Para o secretário, essa busca se dá em virtude da organização da rede de saúde pública e da excelência nos serviços de alta complexidade. “É natural que pacientes com maior gravidade busquem atendimento aqui, pois há procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que só são realizados aqui”.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) são os hospitais que mais recebem pacientes de outras regiões do Estado. Atualmente, o HCPA destina cerca de 50% da sua rede de atendimento a não residentes da Capital. “Não só para Covid-19, mas para tudo, temos aproximadamente 50% para Porto Alegre e 50% para outros municípios”, reforça a assessoria de imprensa do local.

No GHC, a proporção destinada para pessoas do Interior e da Região Metropolitana não é muito diferente. “Em geral, atendemos 40% de pacientes de fora de Porto Alegre. Mas, se considerarmos atendimentos por câncer, a proporção aumenta para 60%”, diz a epidemiologista do Hospital Nossa Senhora da Conceição, Ivana Varella.

De acordo com um levantamento do GHC, até quinta-feira passada, dos 2.141 casos de Srag no hospital, 813 tiveram confirmação para Covid-19 e 177 foram a óbito (21,8%). Entre os 1.328 com diagnóstico descartado para coronavírus, 198 morreram (14,9%). “Identificamos um risco de óbito quase duas vezes maior entre pacientes com Srag devido à Covid-19 quando comparados àqueles em que o diagnóstico foi descartado”, alerta a epidemiologista.

Dos pacientes com Covid-19 que evoluíram para óbito, o GHC identificou que 69 eram de outros municípios, como Alvorada (33,3%), Viamão (26,1%), Cachoeirinha (7,2%), Gravataí (5,8%), Taquara (2,8%) e Mariana Pimentel (2,9%). “Observamos que a proporção de óbitos entre menores de 60 anos foi maior na população de residentes de outros municípios, 31,9%, em relação aos residentes de Porto Alegre, 16,7%”.

Mesmo com a pandemia, Stürmer alerta que não houve sobrecarga no sistema de saúde de Porto Alegre por conta dos pacientes que vem de fora da cidade. “Esse atendimento não se agravou durante a pandemia. Com relação a covid-19, por exemplo, temos 60% dos leitos ocupados somente por pacientes de Porto Alegre”.

 

Fonte: Jornal do Comércio. Foto: Joyce Rocha