31 de março de 2008

Crise não muda previsão de crescimentode 10,2% da construção brasileira em 2008

Apesar dos riscos no cenário internacional, o presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, afirmou que continufa otimista em relação à perspectiva de a construção civil brasileira crescer ao menos 10,2% em 2008. “Mesmo que a crise norte-americana se agrave, dificilmente a China diminuirá sua demanda por commodities, até por conta da Olimpíada, o que beneficia o Brasil. Além disso, a demanda da construção brasileira para 2008 está praticamente toda contratada e o PAC deverá contribuir em 45% dos investimentos do setor, estimados em R$ 180 bilhões”, destacou.

As afirmações foram feitas no seminário “Insumos da Construção: Desafios do Crescimento”, que lotou o auditório do SindusCon-SP, em 27 de março. Segundo a consultora da FGV Projetos Ana Maria Castelo, os investimentos para expansão da capacidade de produção na indústria de materiais já estão em andamento, mas exigem um espaço de tempo de 18 a 24 meses para começarem a ter reflexo na produção. “O ano de 2008 será o mais crítico, mas não visualizamos a possibilidade de uma crise de desabastecimento.”

A economista explicou que as indústrias que fornecem os materiais da construção civil, como a siderúrgica e a de cimento, têm realizado investimentos que devem ajustar a oferta à demanda e manter o crescimento sustentado, sem causar nenhum grande impacto no crescimento do mercado imobiliário. “As principais empresas destes setores já estão se organizando e ampliando a produção”, disse Ana Maria Castelo.

Ela mostrou algumas pressões de custos na indústria de insumos. A CSN já anunciou aumentos entre 8% e 13% no preço do aço bruto e novos reajustes no início de junho. A Usiminas seguiu o mesmo caminho. A Vale anunciou reajustes no minério de ferro de 70%. Há a perspectiva de aumento nos contratos internacionais de carvão entre 130% e 150%. O preço de algumas commodities com o cobre no mercado externo deverá continuar em alta. O barril do petróleo continuará acima de US$ 100 em 2008 (a previsão é de que cairá para até US$ 65 apenas no fim de 2009). As tarifas de energia terão comportamento mais favorável e deverá subir abaixo da inflação em 2008.

A mão-de-obra, responsável por cerca de 50% do custo na construção, também tem pressionado os custos setoriais.

Segundo sondagem do Instituto Brasileiro de Economia da FGV realizada em janeiro e apresentada no seminário, a indústria de materiais de construção prevê uma taxa média de expansão de sua capacidade instalada de 9% em 2008, contra 5% em 2007. Das indústrias que responderam à pesquisa, 57% informaram que poderão não atender a todas as encomendas neste ano (contra 39% em 2007). Mas 70% informaram que o investimento na ampliação da capacidade produtiva será motivo para não ocorrer falta de produtos nos próximos dois anos (contra 64% em 2005).

Ainda há capacidade ociosa. Segundo dado Abramat apresentado no seminário, em março o segmento de materiais de base (aço, cimento, tubos e conexões) operava com 83% de sua capacidade, enquanto o de materiais de acabamento ocupava 86%.

O presidente do SindusCon-SP, João Claudio Robusti, afirmou que o SindusCon-SP está vigilante e recomendou às construtoras e à indústria de materiais que se planejem para evitar maiores descompassos entre a oferta e demanda.

No início do seminário, Paulo Gala, professor da Escola de Economia de São Paulo da FGV e colunista da revista Notícias da Construção, alertou para o risco de uma dependência do Brasil das exportações de commodities, caso o preço delas continue em queda no mercado. “No pior cenário, isso forçará a um ajuste no câmbio e a um aumento de juros no Brasil, o que poderá diminuir o crédito e afetar a construção pelo lado da queda na demanda”, alertou.

Fonte: Construmail 1428

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