18 de março de 2008

Morre poeta e registrador Antonio Augusto Ferreira

A cultura regional perdeu um de seus mais expressivos nomes ontem.

O escritor, poeta, compositor, e ainda, oficial registrador, sócio e conselheiro do Colégio Registral do Rio Grande do Sul Antonio Augusto Ferreira morreu aos 72 anos, em Santa Maria, em conseqüência de um tumor no cérebro.

O corpo será sepultado hoje, às 11h, no Cemitério Ecumênico de Santa Maria. Nascido em São Sepé, Ferreira era integrante da Academia Rio-Grandense de Letras e da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL). Em 1980, ganhou a Califórnia da Canção Nativa com a música Veterano, feita em parceria com Ewerton Ferreira.

Premiado em diversos festivais de música, escreveu cinco livros e uma obra que chamam atenção pela musicalidade e pela inspiração no universo campeiro. Em Santa Maria, cidade que adotou a partir de 1973, era oficial do Registro de Imóveis. A prefeitura decretou luto oficial de três dias.

Há 12 anos, Tocaio Ferreira, como também era conhecido, convivia com o mal de Parkinson. Mas foi o avanço de um tumor no cérebro que silenciou o autor de poesias e canções inspiradas pelo universo campeiro. Estava hospitalizado desde 20 de dezembro.

O compositor passou a infância em São Sepé e despertou sua veia poética na adolescência. Dos 14 aos 23 anos, começou a se dedicar à produção literária. Com o nome de Tocaio Ferreira, passou a publicar, nos anos 50, poemas em jornais como A Hora e Correio do Povo. Viveu em Porto Alegre, Passo Fundo, Sananduva e Pelotas, onde cursou Direito.

Ferreira deixa quatro filhos e a mulher, Letícia.

Veterano
Antonio Augusto Ferreira
Ewerton Ferreira

Está findando meu tempo
a tarde encerra mais cedo
meu ombro ficou pequeno
e eu sou menor do que penso.
O bagual tá mais ligeiro,
o braço fraqueja às vezes
demoro mais do que quero,
mas alço a perna sem medo.
Encilho cavalo manso,
mas boto laço nos tentos.
Se a força falta no braço,
na coragem me sustento.
Se lembro o tempo de quebra,
a vida volta pra trás.
Sou bagual que não se entrega
assim, no mais.
Nas manhãs de primavera,
quando vou parar rodeio,
sou menino de alma leve
voando sobre o pelego.
Cavalo do meu potreiro
Mete a cabeça no freio.
Encilho no parapeito,
mas não ato nem maneio.
Se desencilho, o pelego
cai no banco onde me sento.
Água quente e erva buena
para matear em silêncio.
Neste fogo onde me aquento,
Remoo as coisas que penso.
Repasso o que tenho feito
para ver o que mereço.
Quando chegar meu inverno,
que vem branqueando o cerro
vai me encontrar venta aberta
de coração estreleiro
mui carregado de sonhos
que habitam o meu peito.
E que irão morar comigo
no meu novo paradeiro.

Fonte: Zero-Hora

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